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quarta-feira, 22 de julho de 2009

Fila prioritária para... ricos!

Acabo de voltar de minha viagem de lua de mel. Foi tudo muito tranquilo, apesar do frio na barriga, inevitável em viagens de avião, ainda mais ao fazer o mesmo percurso do vôo 447, aquele da Air France que caiu misteriosamente em pleno vôo. Mas uma coisa me chamou a atenção na volta ao Brasil: a fila de prioridade para embarque.

Segundo os funcionários da companhia aérea pela qual estávamos voando (brasileira, é bom frisar), teriam prioridade de embarque os passageiros idosos, com dificuldades de locomoção, gestantes e mulheres acompanhadas de crianças pequenas e bebês. Pois bem, depois de formada a fila prioritária e a dos demais passageiros, eis que os funcionários da tal companhia chamam para o embarque os passageiros da classe executiva e os participantes do seu programa de fidelidade. E pedem para os passageiros de "prioridade" aguardarem a sua chamada com paciência.

Tudo bem, é possível que meu marido e eu já estivéssemos de mau humor por estarmos no final da nossa viagem e por termos saído de uma cidade de gente muito mal educada (Milão) -- salvaguardando as exceções, claro --, mas ficamos indignados. Quer dizer que a pessoa que tem dinheiro para viajar na área mais confortável do avião precisa entrar antes de quem é idoso, tem problemas de locomoção ou saúde e tem uma criança ou um bebê para cuidar durante doze horas de vôo? Não seria melhor deixar os mais privilegiados aproveitando a sala vip por mais um tempinho e agilizar o embarque de quem terá de enfrentar o desconforto da viagem já em desvantagem?

Acho que seria uma gentileza a mais com seus passageiros "normais" e pegaria bem para a imagem da empresa. Mas provavelmente a companhia prefere ter boa imagem mesmo com o pessoal da classe executiva.

Foi a única falha da empresa na nossa viagem. Mas que ela podia ter passado sem essa, podia.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Campanha Diga Bom Dia ao Seu Vizinho

Moro há mais de quatro anos num prédio que tem 96 apartamentos num bairro nobre de São Paulo. Com tanta gente morando no mesmo espaço, é praticamente impossível pegar o elevador vazio em qualquer parte do dia. Assim, cruzo com as mesmas pessoas várias vezes durante a semana.

Confesso que não sou muito dada a falar pelos cotovelos nessas ocasiões, mas me espanta a quantidade de gente que simplesmente ignora a presença de outro ser humano num espaço tão exíguo. Nem respondem ao singelo bom dia que os vizinhos minimamente educados lhes dão. Tem gente até que parece ofendida pelo cumprimento e responde entredentes, quase latindo. Às vezes até fico com medo de ouvir como resposta "Bom dia por quê?" ou de levar um tabefe pela ousadia de cumprimentar a pessoa.

E esse mal não atinge pessoas de um perfil específico. É a senhora avantajada do bloco A, o pai da família que vive no 10º andar, o casal de idosos do bloco B, o adolescente do 6º andar, e outros mais -- pessoas instruídas, com bom nível sociocultural e acesso à informação. Fico imaginando como deve ser conviver dentro de casa com gente que está sempre de cara feia, de mau humor.

Por mais que eles tenham motivos para estar de mal com o mundo o tempo todo, tratar as pessoas com educação é o mínimo que se espera de quem vive em sociedade, ainda mais dentro de um condomínio. É a condição essencial para se manter uma convivência harmoniosa e saudável, para garantir a sustentabilidade das relações entre as pessoas.

Por isso, está lançada a campanha Diga Bom Dia ao Seu Vizinho. Não é preciso sorrir, puxar conversa sobre o tempo, discutir as fofocas do condomínio. Basta pronunciar as duas palavrinhas -- e suas versões Boa Tarde e Boa Noite -- de forma educada ao cruzar com um vizinho ou funcionário pelas áreas comuns do prédio. Afinal, cara feia e falta de educação não resolvem nossos problemas, mas gentileza e respeito podem tornar a nossa vida no mínimo um pouco menos árida.