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terça-feira, 16 de setembro de 2008

Livre-arbítrio e aborto

Saem os embriões, entram em cena os anencéfalos. Apesar de os personagens serem outros, para mim a questão fundamental continua a mesma. Do jeito como estão sendo conduzidos os debates promovidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), até parece que a descriminalização do aborto nesses casos obrigaria todas as mães nesse caso a interromperem a gestação.

Depois de ter a anencefalia do feto constatada, uma mulher chamada Mônica decidiu ter a filha, de acordo com a notícia publicada pelo jornal Folha de S. Paulo. Na época, ela poderia ter interrompido a gravidez sob proteção de uma liminar expedida pelo ministro Ministro Marco Aurélio que permitia o aborto sem a necessidade de uma autorização judicial. Segundo suas próprias palavras, durante a gravidez Mônica "não teve esse sofrimento estúpido como se diz por aí", referindo-se ao sofrimento das mulheres que não podem interromper a gravidez.

Veja só que coisa. Essa moça teve seu direito respeitado. Ninguém a obrigou a abortar. Mas ela considera estúpido o sofrimento de quem não sente ou sentiu a mesma coisa que ela. E defende uma lei que obriga mulheres que sentem de modo diferente que ela a manter uma gravidez que as martiriza. E, como ela, outros defensores da restrição ao aborto nesses casos.

De novo, me pergunto: que direito um grupo de pessoas tem de impor sua vontade sobre outras? Cada um que siga a sua consciência. Afinal, só nós mesmos sabemos como lidar com nosso próprio sofrimento.

terça-feira, 4 de março de 2008

Religião x Ciência (e um pouco de compaixão)

O julgamento do STF sobre o uso de embriões para as pesquisas com células-tronco tem causado polêmica. Como sempre, ressurge a eterna briga entre os defensores da ciência e da religião.

Na minha opinião, a questão é muito simples. O ponto aqui não é a eterna discussão sobre quando começa a vida. cada um, conforme sua crença, pode ter uma opinião diferente, já que não há evidências científicas irrefutáveis sobre o tema. O que está em jogo é o direito ao livre-arbítrio - princípio aceito e professado pela maioria das religiões. Se cada um tem direito a escolher o caminho que quiser, por que, num Estado laico como é o Brasil, temos que obrigar a todos a seguir uma crença?

Não sou a favor do aborto, ao contrário. Mas, da mesma forma, não sou a favor de impor os princípios da minha religião a quem quer que seja. Para mim, é isso o que deveria ser discutido. Se há pessoas que não acreditam em Deus, por que eu deveria impor a elas regras que não têm nada a ver com o que acreditam?

Se uma pessoa que sofre de uma doença degenerativa e sua consciência está tranquila com o fato de a cura para seu sofrimento vir de pesquisas realizadas com células tiradas de embriões que seriam descartados, que direito tenho eu de dizer que ela não pode ser beneficiada por esses estudos?

Eu também não concordo com a idéia de realizar fertilização in vitro. Da mesma forma como não realizaria um aborto, nunca me submeteria a um tratamento para engravidar. Com certeza, optaria pela adoção caso não pudesse ter tido minha filha de forma natural. E isso me daria o direito de impedir dezenas de casais de tentar realizar o sonho de ter um filho biológico?