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quinta-feira, 28 de maio de 2009

Pessoas "sustentáveis"

Acabei de receber um email de uma amiga com a seguinte frase: "Todo mundo 'pensando' em deixar um planeta melhor para nossos filhos... Quando é que 'pensarão' em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"

Ela expressa muito bem o que acho. A sustentabilidade está na moda: todo mundo fala disso, as empresas adoram fazer propaganda de suas práticas sustentáveis. Mas alguém está se preocupando com relações humanas sustentáveis? Relações baseadas no respeito, na compaixão, na preocupação genuína com o outro?

Não é preciso ir muito longe. Nas próprias empresas conhecidas por estarem na vanguarda da sustentabilidade e até mesmo em organizações não governamentais que têm como bandeira melhorar a vida das pessoas, as relações são "insustentáveis". Os funcionários são submetidas a cargas de trabalho e pressões desumanas, não têm tempo para cuidar da sua saúde -- física e mental --, não conseguem dedicar um tempo mínimo às suas famílias. Fornecedores são obrigados a se submeter a demandas com prazos e preços insanos para manter o trabalho, e assim vamos, em cadeia.

O resultado: pessoas insatisfeitas com a própria vida, infelizes, doentes, agressivas, egoístas, gananciosas; crianças sem atenção, largadas em escolas ou nas mãos de babás, sem orientação clara para a vida; adolescentes sem limites, que não sabem viver em sociedade, sem exemplos decentes para seguir. Só sabemos consumir, aspirar por status e poder, lutar pelos nossos 15 minutos de fama, sonhar com modelos ultrapassados de carreira profisisonal, de trabalho e de vida.

Plantar árvores por aí, preservar alguns animais e dar um pouco de atenção aos pobres ao redor do mundo não me parece que vai resolver o problema. A crise econômica que está aí é uma mostra disso.

Realmente, não sei que uso poderão fazer de um planeta lindo, verde, pessoas que não têm respeito pela vida nem pelas coisas importantes. A mudança é mais complicada e mais ampla do que se imagina, porque depende da quebra de paradigmas muito fortes. É preciso mudar a forma de enxergar o mundo e de nos relacionarmos uns com os outros. Afinal, como muito bem aponta o email que recebi, "uma criança que aprende o respeito e a honra dentro de casa e recebe o exemplo vindo de seus pais torna-se um adulto comprometido em todos os aspectos, inclusive em respeitar o planeta onde vive."

Algumas pessoas já se deram conta disso. Falta abrir os olhos da maioria.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Afinal, o que as mulheres querem?

Outro dia fui à casa de um amigo para um almoço de confraternização. Domingo de sol, casa cheia, almoço bom. Lá pelas tantas, como costuma acontecer nas reuniões desse tipo, os homens foram para um lado, jogar truco, e as mulheres ficaram à mesa, conversando.

O papo logo passou para o tema maridos. E logo descambou para uma série de lamentações e reclamações sobre o mau comportamento dos companheiros. Praticamente todas -- estávamos em oito à mesa -- falaram mal dos próprios maridos, taxados de mimados, folgados, machistas e outras coisinhas mais. A principal queixa era de que eles não faziam nada em casa, não ajudavam a tomar conta dos filhos, pediam tudo para as mulheres, enfim, eram uns inúteis.

Uma delas, que disse fazer tudo para o marido, inclusive levantar às 3 da manhã para servir um lanchinho para o dito cujo, quase foi crucificada pelas outras. Aí, todas as reclamantes disseram que, caso se separasem, não se casariam de novo, para não ter mais que ficar cuidando de homens folgados. O detalhe é que a maioria delas ou não trabalha, ou tem um emprego que não garante seu sustento sozinha.

Fiquei pensando com os meus botões que realmente os homens têm razão em dizer que não entendem as mulheres. Elas fazem de tudo para casar -- algumas até dão golpes baixos para amarrar o namorado -- e, quando conseguem, passam o tempo a reclamar dos maridos. E na frente de todo mundo! Porque fazer um desabafo com uma amiga é uma coisa, falar mal do marido para gente que mal conhece é outra bem diferente. E essa não é a primeira vez que vejo isso acontecer.

Bom, nesse ponto da conversa os olhos se voltaram para mim, a maluca que teve coragem de se casar de novo depois de já ter conseguido se livrar de um marido --como se isso fosse uma doença. Eu preferia ter permanecido em silêncio, como estava até então, mas elas esperavam um pronunciamento. Só pude dizer o que eu realmente acho: que sempre gostei de estar casada, que meu marido é ótimo e que me casaria 20 vezes, se necessário fosse, para encontrar o parceiro com quem ficar até o fim da vida.

Diante dos olhos arregalados das moças à mesa, achei melhor ir para a roda dos homens. Não entendi nada do jogo que estava rolando, mas que a conversa estava muito mais divertida ali, estava. Truco!