domingo, 13 de setembro de 2009

O excesso do politicamente correto

Não sei quem inventou essa moda de politicamente correto - que, aliás, se tornou mais uma praga. Concordo que a gente tem de se preocupar em respeitar as pessoas, mas daí a ficar patrulhando tudo o que os outros fazem também já é demais. O pior é que, com os recursos tecnológicos que temos hoje à disposição, esse patrulhamento chega, muitas vezes, às raias do ridículo.

Nem uma piada inocente se pode fazer sem que o povo caia matando em cima. Não me refiro a piadas infelizes do tipo que Danilo Gentili fez a respeito dos jogadores de futebol - além de infeliz, sem graça nenhuma, diga-se de passagem. Mas a colunista Barbara Gancia, por exemplo, recebeu dezenas de emails de pessoas criticando a brincadeira que ela fez a respeito da gravidez de modelos.

Alguém precisa explicar a essas pessoas que o humor tem graça justamente porque é politicamente incorreto - o que não é igual a ser preconceituoso, é bom deixar claro. O engraçado é que os "politicamente corretos", que adoram patrulhar as incorreções alheias, são os que se omitem a respeito de questões que realmente merecem patrulhamento e atenção.

Um turista italiano foi denunciado por beijar e acariciar a filha, mas quantos denunciam os maus-tratos infligidos todos os dias a milhares de crianças em todo o país? Quantos se levantaram para questionar a decisão de um juiz que concordou com a tese de dois acusados de pagar pelos serviços de prostitutas menores de idade de que, como elas já se prostituíam antes, não era crime o que fizeram? Sem falar na corrupção e na falta de caráter que grassa nas altas esferas dos três poderes, que não mobiliza uma dúzia de gatos pingados em todo o país.

Deve ser mesmo mais fácil colocar debaixo do tapete da visão politicamente correta, na base do patrulhamento e de leis que estimulam a caça às bruxas dos "incorretos", suas próprias próprias sujeiras e imperfeições, do que enfrentar essas questões, tornando-se capaz de se indignar com o que efetivamente deve ser motivo de indignação e de deixar os demais viverem do jeito que for melhor para eles.

Um comentário:

Norma Li disse...

Nem me fale...tô morrendo de vergonha pelo italiano que beijou a filha...revoltante